15 Abr

Abril recheado de exposições em Lisboa

Modernismo, surrealismo, arte clássica ou urbana: aqui encontra 22 exposições em Lisboa em Abril.

Acha que não se passa nada em Lisboa este fim-de-semana? Temos mais de duas mãos cheias de exposições para provar que está bem enganado. Queremos ajudar a tornar os próximos dias mais culturais, sozinho ou com a família toda atrelada (sim, há muitas exposições kids friendly).

Com tantos museus e galerias na cidade, é impossível não ter o que ver. Não queremos que se perca e por isso dizemos-lhe quais as exposições a que deve prestar atenção em Lisboa. Não há desculpas para não sair de casa.

 

Living Among What’s Left Behind

Palácio Anjos, Oeiras

Até 26 Mai 2019

O fotojornalista Mário Cruz, distinguido no concurso World Press Photo (WPP) 2019, leva ao Palácio Anjos (Algés, Oeiras) a exposição homónima ao seu livro “Living Among What’s Left Behind”. Expostas estão mais de 40 imagens que retratam um dos grandes problemas que o planeta atravessa: a poluição, resultado das falhas na preservação ambiental. A fotografia distinguida pelo WPP, patente na exposição, mostra uma criança que recolhe materiais recicláveis, para obter algum tipo de rendimento que lhe permita ajudar a família, deitada num colchão rodeado por lixo no rio Pasig, nas Filipinas, declarado biologicamente morto na década de 90.

 

Cérebro. Mais Vasto que o Céu

Fundação Calouste Gulbenkian, São Sebastião

Até 10 Jun 2019

Será mais vasto que o céu. A exposição da Gulbenkian parte de um poema de Emily Dickinson (The brain is wider than the sky) e a sua missão é simples: celebrar a complexidade da mente humana através das suas múltiplas representações, da arte à ciência ou até a filosofia. Um neurónio gigante dá as boas-vindas aos visitantes e reage aos seus movimentos e, a partir daí, a interatividade é absoluta. Há um cérebro com 500 milhões de anos, uma orquestra de cérebros – aqui há um mecanismo que capta as suas ondas cerebrais e as transforma em sons – e, no último núcleo, os robots pintores de Leonel Moura fazem telas em tempo real durante todo o período da exposição. Os visitantes ainda podem jogar Mindball, um jogo de futebol mental em que dois jogadores movimentam uma bola com base nas suas ondas cerebrais.

 

From the World, Made in Lisboa

Galeria Underdogs, Marvila

Até 18 Mai 2019

As novidades ali para o lado oriental da cidade já brotam como flores na Primavera. A galeria Underdogs tem patente a exposição “From the World, Made In Lisboa”, uma exposição colectiva de artistas internacionais que já ocuparam as paredes da galeria de Marvila desde a sua abertura em 2013. É um menu ecléctico de artistas cujo trabalho é passado em revista pela Underdogs. Por lá encontre trabalhos de André Saraiva, Ernest Zacharevic, Clemens Behr, Olivier Kosta-Théfaine, Cyrcle, PichiAvo, Anthony Lister, Finok, Okuda San Miguel, Shepard Fairey, WK Interact e Felipe Pantone.

Fill in the blanks

Fundação Portuguesa das Comunicações | Museu das Comunicações, Chiado/Cais do Sodré

Até 11 Mai 2019

Patente na Fundação Portuguesa das Comunicações, a exposição “Fill in the blanks”, de Pedro Batista, traz à tona a criatividade da mente humana, a capacidade que temos em preencher os espaços vazios da nossa memória – que nem sempre são uma representação exata daquilo que vemos e vivemos. Prova disso é a predominância do branco nas obras do artista a representar essas quase falhas de memória, “deixando para a cor a função de comunicar o elemento mais relevante para o autor”, lê-se em comunicado. “Fill in the blanks explora as memórias do artista e a forma como elas existem no seu imaginário, aceitando a possibilidade de serem, em parte, imperfeitas, imaginadas”. Explorando as suas próprias memórias, Pedro faz uma retrospectiva dos seus 38 anos de vida, dos seus hobbies, com ajuda de álbuns de fotografias e memorabilia que foi coleccionando.

 

Ficção e Fabricação

MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, Belém

Até 19 Ago 2019

São 68 obras que integram esta exposição que celebra o imaginário da arquitectura como elemento central da fotografia na arte contemporânea. A exposição “Ficção e Fabricação: Fotografia de Arquitetura após a Revolução Digital” reúne obras de cerca de 50 artistas que constroem e manipulam imagens feitas a partir de objetos e espaços arquitetónicos, assinalando também os 30 anos da invenção do Photoshop. Encontre por lá desde as obras de Andreas Gurski, Thomas Demand ou Doug Aitken, até às criações ficcionais de Beate Gütschow ou Isabel Brison. Numa era onde dominam os meios digitais, “Ficção e Fabricação” expõe as ficções provenientes do campo artístico que aqui surgem como uma alternativa crítica à própria arquitectura.

 

A Magia dos Estúdios Aardma

Museu da Marioneta, Estrela/Lapa/Santos

Até 21 Abr 2019

Séries e filmes como Wallace e Gromit (1989), A Fuga das Galinhas (2000) ou A Ovelha Choné (2007), não fogem certamente da mira de muitos fãs do universo da animação. E o que é que estas produções têm em comum? Todas estão sob a chancela dos Estúdios Aardman, que agora trazem a Lisboa, ao Museu da Marioneta, uma exposição com 47 marionetas, oito cenários, vários storyboards e esquissos. “A Magia dos Estúdios Aardman” é parte integrante da programação da Monstra e antecipa não só o Festival de Animação, como a presença – em data a anunciar – de Peter Lord, um dos fundadores dos estúdios britânicos. Os estúdios Aardman, fundados em 1976 por David Sproxton e Peter Lord, têm-se dedicado sobretudo à produção de conteúdos de animação, com recurso à técnica de “stop motion”, em séries de televisão, publicidade e longas-metragens. Esta é a segunda vez que estão presentes numa exposição em Portugal, depois de uma retrospectiva em 2011, na Solar – Galeria de Arte Cinemática, em Vila do Conde.

 

A Universidade Está no Ar

Centro Cultural de Belém, Belém

Até 26 Mai 2019

Entre 1965 e 1987 funcionou na RTP a Telescola, um programa que permitiu a milhares de alunos completarem o 2º ciclo de escolaridade. No Reino Unido, entre 1975 e 1982, o ciclo era outro. Esta exposição na Garagem Sul do CCB – que tem como subtítulo “Difundir a Arquitetura Moderna/Reino Unido 1975-1982” – explora o programa “A305: History of Architecture and Design, 1890-1939”, um curso de arte do terceiro ciclo, em formato telescola emitido pela Open University, em Milton Keynes. Tanto a universidade como o curso são objectos de estudo enquanto exemplos de convergência entre os media e a educação de massas, em linha com a actual ideia de cultura global partilhada. Aproveite para ver uma recriação da experiência e toda a maquinaria envolvida no projecto, bastante inovador para a altura.

 

Pretty Real People

Embaixada, Princípe Real

Até 2 Mai 2019

O projecto Pretty Real levado a cabo pela Eastbanc organiza na Embaixada a exposição “Pretty Real People”, uma homenagem a quem vive e tem o seu negócio no Príncipe Real. São doze os rostos representados, com nomes como os chefs Diogo Noronha ou Henrique Sá Pessoa, as designers Alexandra Moura ou Lidija Kolovrat ou até o sócio-gerente do Trumps, Marco Mercier. As imagens foram captadas por alunos de fotografia da ETIC e pode vê-las até 2 de Maio.

 

Spirit House

Centro de Criação e Artes Contemporâneas Carpintarias de São Lázaro, Intendente

Até 28 Abr 2019

Um dos grandes destaques da edição vai para o regresso a Portugal de Marina Abramovic. A artista não virá a Lisboa, mas terá nas Carpintarias de São Lázaro a instalação Spirit House, um conjunto de cinco vídeos já vistos em 1997 no Matadouro das Caldas da Rainha. Mais
 de duas décadas depois, a instalação, onde Abramovic executa para a câmara várias acções (como chicotear-se nas costas até ficarem vermelhas) é apresentada de novo e volta a ser uma base para questões como a solidão, a dor ou a transcendência do corpo.

 

Once in a Lifetime [Repeat]

Culturgest, Avenidas Novas

Até 19 Mai 2019

João Onofre é um artista plástico multifacetado e um dos grandes nomes da arte contemporânea portuguesa, e o seu trabalho está representado em colecções públicas e privadas de todo o mundo (do Centro Pompidou em Paris ao Museu de Arte Contemporânea de Chicago). Trabalha sobretudo o suporte vídeo, mas recorre a outras formas de expressão artística como o desenho, a escultura, a fotografia, a performance e a arte do som. Esta exposição da Culturgest explora todas as vertentes do seu trabalho produzidas na última década e inclui uma obra nova: Untitled (Zoetrope) uma vídeo-performance filmada na Culturgest.

 

Hello, Robot. Between Human And Machine

MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, Belém

Até 22 Abr 2019

E puf!, o mundo foi invadido pela robótica. Mesmo que não dê conta, operam no nosso dia-a-dia elementos que já se tornaram parte da rotina de cada um. Esta exposição examina a actual explosão no mundo da robótica com mais de 200 peças das áreas de design e arte, incluindo robôs utilizados em casa, nos cuidados assistidos e na indústria, em jogos de computador, instalações de media, e exemplos cinematográficos e literários. Mas, no meio disto tudo, onde ficam as questões sociais, políticas e de ética? Esta exposição mostra os robôs em quatro fases – a primeira diz respeito ao fascínio que estas figuras exercem sobre as pessoas; a segunda é sobre o impacto da robótica no mundo do trabalho; a terceira foca a evolução astronómica da tecnologia; e, por último, o núcleo examina o crescente esbater das fronteiras entre os humanos e os robôs.

 

O Pirgo de Chaves

Museu Calouste Gulbenkian, São Sebastião

Até 3 Jun 2019

Um pirgo (também conhecido como turrícula) de bronze foi encontrado recentemente nas Termas Romanas de Chaves, uma torre que servia para lançar dados de jogar no tempo dos romanos e um dos três únicos exemplares deste tipo existentes no mundo. É este o objecto que serve de inspiração a esta exposição de escultura, no Espaço Conversas da Gulbenkian, da autoria do artista português Francisco Tropa em colaboração com o arqueólogo Sérgio Carneiro. Os dois fazem uma visita guiada esta sexta-feira às 17.00 (4€).

 

Vicente. O Mito em Lisboa

Museu de Lisboa – Palácio Pimenta, Campo Grande/Entrecampos/Alvalade

Até 28 Abr 2019

O Museu de Lisboa dedica uma exposição ao santo padroeiro da cidade, São Vicente – “Vicente. O Mito em Lisboa”estará patente no Palácio Pimenta e com curadoria de Mário Caeiro, que tem desenvolvido ao longo de oito anos o Projecto Vicente, focado em traduzir o sentido da lenda vicentina através da arte e do pensamento com artistas contemporâneos e da cultura urbana. E se não esteve a par do que se fez ao longo dos últimos oito anos no projecto homónimo da Travessa da Ermida, nesta exposição no Museu de Lisboa vai poder ver reunidas muitas das obras de arte contemporâneas desenvolvidas durante as edições anteriores, de artistas tão distintos como Xana, João Ribeiro, Miguel Januário, André Banha ou Alessandro Lupi. Da escultura à pintura, passando pela instalação, vídeo ou ilustração – tudo para explorar as várias dimensões da vida e lenda de S. Vicente, cruzadas com peças do espólio do museu dos séculos XV, XVI e XVII.

 

The Architecture Of Life. Environments, Sculptures, Paintings And Films

MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, Belém

Até 20 Mai 2019

A exposição começa com uma pequena maqueta do edifício de habitação social onde Carlos Bunga cresceu. “The Architecture Of Life. Environments, Sculptures, Paintings And Films” mostra o trabalho do artista que apenas com cartão e tinta constrói maquetas arquitectónicas acompanhadas de filmes e documentação. Bunga faz desde a mais pequena miniatura à maqueta monumental, construindo uma representação intelectual da arquitectura – tal como explica o artista, cada construção “não é um espaço real, mas uma ideia mental”.

 

Carybé

Palácio da Independência, Estrela/Lapa/Santos

Até 4 Mai 2019

Hector Bernabó, de nome artístico Carybé, foi um artista plástico e jornalista argentino, naturalizado brasileiro, que retratou o Brasil ao longo da sua carreira. Sábado inaugura no Palácio da Independência a exposição “Aquarelas do Descobrimento em Lisboa”, no mesmo dia em que se assinala a chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, em 1500. As 52 obras são uma versão em aquarela da Carta de Pero Vaz de Caminha, o mais antigo registo sobre o território.

 

Anátema

MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, Belém

Até 20 Mai 2019

Ana Santos ganhou, em 2013, o Prémio EDP Novos Artistas e regressa agora com uma exposição que reúne obras inéditas da sua mais recente residência. “Anátema” foca-se na escultura, ou melhor na produção de objectos. As suas peças resultam de um processo de reflexão sobre as características formais, funcionais ou cromáticas de determinados materiais ou objectos e das relações que possam existir entre eles. No seu trabalho os valores tradicionais da escultura – os cânones, diga-se – são questionados, sendo-lhe atribuída até uma certa estranheza na criação.

 

Ana Jotta na Estação do Rossio

Estação Ferroviária do Rossio, Santa Maria Maior

Até 20 Jun 2019

O Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, trouxe até Lisboa a obra “Joana”, da portuguesa Ana Jotta. O conjunto de peças penduradas no tecto do primeiro piso da Estação do Rossio pode ser visto até 20 de Junho de 2019, uma iniciativa que resulta de uma parceria entre a Infraestruturas de Portugal (IP) e a Fundação de Serralves. Neste trabalho, Jotta apropriou-se de materiais já existentes, descartados e pobres, como rodas de bicicleta e garrafas de vinho para fazer “uma paródia a um dos maiores símbolos de luxo e de poder — o candelabro, omnipresente em palácios e outras tipologias arquitectónicas ligadas ao poder político e financeiro”. Tal como Marcel Duchamp e o seu “ready made”, a artista plástica apropria-se dos objectos, que utiliza sem transformações, descontextualizado-os e transformando-os na sua própria arte.

 

Photo Ark

Cordoaria Nacional, Belém

Até 5 Mai 2019

A arca de Noé moderna atracou em Lisboa: está metida dentro de quatro paredes, ocupa um espaço de 500 m2 e tem para mostra mais de uma centena de fotografias de animais em cativeiro, muitos deles em vias de extinção. “Photo Ark”, exposição da National Geographic mais vista em todo o mundo patente agora na Cordoaria Nacional, é a grande exposição do norte-americano Joel Sartore, uma autêntica arca fotográfica. A ideia de Joel, que começou há 13 anos, é muito simples: fotografar as mais de 12 mil espécies em cativeiro – 8400 já estão. O fotógrafo pretende com isto alertar e evitar a extinção de muitos destes animais ameaçados. Nas galerias da Cordoaria vão estar 100 fotografias, o dobro da exposição do Porto. Metade são inéditas e outras 12 foram fotografadas em Portugal. Os animais aparecem em fundos brancos ou negros, quase sempre de olhos fixos na câmara, como se nos estivessem a observar. Mais ou menos como os animais em cativeiro se devem sentir

 

Tcharan!

Pavilhão do Conhecimento, Parque das Nações

Até 30 Jun 2019

Uma epzosição no Pavilhão do Conhecimento é sempre uma aposta segura, até no Verão. Praia ou Pavilhão do Conhecimento? Apostamos que muitos miúdos gritam em coro a segunda opção. Por eles, a vida era isto: mexer, experimentar, brincar, ao mesmo tempo que vão aprendendo uma ou outra coisa. E isso é ainda mais verdade nesta nova exposição “Tcharan! – Circo de Experiências”. O circo chegou a este Centro Ciência Viva sem palhaços assustadores e com muita música e cor. Há um labirinto de espelhos, um chão musical e várias acrobacias à espera de miúdos aventureiros. “TCHARAN!”

 

Contar Áfricas!

Padrão dos Descobrimentos, Belém

Até 21 Abr 2019

A partir de domingo, “Contar Áfricas!” ocupa a sala de exposições do Padrão dos Descobrimentos. Esta é uma exposição que reúne peças escolhidas por 45 investigadores de várias áreas com relação ao continente africano. O historiador António Camões Gouveia coordena a mostra que quer “contar África e não a visão que de África tiveram os portugueses”, diz em comunicado. Desde o sistema de poder à organização social e cultural, por aqui redescobre-se parte desse território.

 

Linguistic Ground Zero

MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, Belém

Até 24 Abr 2019

A Project Room do MAAT recebe um projecto de João Louro. “Linguistic Ground Zero” reflecte sobre o momento histórico de inflexão em que a arte e a sociedade parecem coincidir em relação à necessidade de acabar com tudo – as duas Grandes Guerras e as vanguardas artísticas. A proposta consiste numa reprodução de Little Boy – a primeira bomba atómica da História, que arrasou a cidade japonesa de Hiroxima em Agosto de 1945. Esta é uma reprodução com mensagens gravadas: somam-se destruição, grafiti, referências poéticas e escritos.

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